ENREDO 2009:
De além-mar à Liberdade, Prova de Fogo canta pela igualdade

Baixe aqui o samba enredo 2009

 

 

 

Autores: Bill Lennon e Eduardo Caetano

 

Introdução

A liberdade é uma luz, um espírito, uma força que impulsiona os seres a evoluírem caminhando na grande marcha da evolução universal. A liberdade então é como um raio que desce a Terra vindo do Sol Maior. Uma “prova de fogo” que liberta as mentes de um transe coletivo, das prisões do orgulho e dos velhos padrões, que há décadas aprisionam nossos irmãos negros. Irmãos que foram buscar na Prova de Fogo a liberdade. Liberdade é ter saúde, é felicidade, é poder respirar!

O homem primitivo descobriu o fogo e começou sua evolução rumo às estrelas, vencendo as primeiras limitações. Inicialmente, desbravando mares e, depois, conquistando o espaço sideral.

Com muito respeito, carinho, alegria e humor, a Prova de Fogo, vai contar uma parte desta história para mostrar, entre tantos fatos importantes, a importância da liberdade do povo negro brasileiro. A nossa proposta é direcionar naquilo que almejamos, isto é, na liberdade, para mostrar que a vida gosta de cantar e contar histórias... Porém, às vezes, ela canta e conta histórias diferentes.

Por isso, te convidamos a mergulhar conosco nessa história, cuja busca incessante pela liberdade passa pela educação. Pois, “povo que não ama e não preserva suas formas e reações culturais mais autênticas, nunca  será um povo livre”, já dizia o dramaturgo Plínio Marcos.

 

Parte I - Miscigenação para Liberdade

A mão dos anjos teceram o destino e o português descobriu o Brasil... E uma nova fase da evolução da humanidade se inicia...

Esta descoberta de um novo mundo fez o povo europeu sonhar com uma nova vida, longe da opressão social, tabus e religião. Um paraíso cheio de calor, energia, com plantas e flores exóticas, frutas variadas onde pessoas nuas (índios), habitavam um local de ricas matas, que cobriam montanhas de puro ouro e pedras preciosas. Água para todos os lados, animais diversos e livres, um povo ávido de curiosidade pelo novo que aqui chegava à Terra de Santa Cruz, depois Vera Cruz e, por fim, Brasil.

Este seria um novo País com um futuro promissor!

Fugindo de Napoleão, a corte de Dom João se mudou para o Brasil, e Dona Maria, a Louca, juntamente com os demais membros da Corte Portuguesa, encontraram pessoas fortes e viris, índios puros e nus, que em sua inocência não imaginavam o que estaria por vir...

Na busca de um domínio sobre os nativos, os portugueses não pouparam os desprezos e os maus tratos e os índios foram humilhados, capturados e roubados em sua inocência.

Mais tarde, formadas as oligarquias, o homem branco aqui dominou. Novos caminhos se abriram e com isso a mão-de-obra escrava, formada pelos negros trazidos da África, tornou-se comum. Dor, maus tratos e outra atmosfera se formou: negros sofridos, banidos de sua cultura, família, e habitat natural, iniciam a busca pela liberdade. Por outro lado, a cobiça dos assanhados europeu perante as raras belezas africanas e indígenas crescia, dando início à grande mistura de raças, que resulta em um amálgama de etnias e culturas. Surge assim a raça e a cultura brasileira.

 

Parte II - A Luta pela Liberdade do Povo Brasileiro

Embora o povo brasileiro tenha surgido irreverente em um clima de escárnio e deboche, fruto da dor das senzalas e dos ataques em suas aldeias indígenas, soube manter suas tradições, por meio das suas festas e seus rituais, preservando assim centenas de anos de história e tradição. Rapidamente este povo se tornou culto, atento as mudanças impostas, impulsionando sua arte por um dom natural, em um rico folclore.

Uma nação de gente talentosa, repleta de artistas em diversos seguimentos, onde a arte libertava as mentes  do povo! Esta gente crescia com a mente livre e educada pelo respeito mútuo, graças à luta dos negro pela liberdade e igualdade.

O Brasil se fez independente de Portugal, quando a Imperatriz Leopoldina pede em carta a Dom Pedro I, e este a atende em um Grito de Independência. Assim a antiga colônia, já livre, inicia sua história rumo a maior idade.

 

Parte III - Bairro da Liberdade, Consagração dos Japoneses e o Cemitério dos Negros

Uma dessas histórias teve como cenário o famoso bairro da Liberdade, na capital paulista. O nome Liberdade vem dos tempos da abolição dos escravos. A área era conhecida como campo da forca. Isto porque no centro do bairro, no Largo estava (e está até hoje) localizada a Igreja de Santa Cruz, que ficou conhecida como a Igreja dos Enforcados. É lá que as pessoas acendem velas para as Almas, pois ao redor da Igreja eram enterrados os escravos mortos da região, surgindo assim o primeiro cemitério da Cidade de São Paulo. Tempos depois muitos ossos foram deslocados para o cemitério da Consolação, desativando o cemitério de negros da Liberdade.

O local era refúgio de negros e italianos, quando os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil na busca de uma vida melhor. Ali se instalaram por haver muitos porões nas casas, pois antes o local era um brejo, que alem do valor do aluguel barato, a região era central, portanto facilmente poderiam ir para seus empregos nas diversas atividades que desenvolviam.

Hoje a Liberdade, é um ponto turístico importante da capital paulistana, e um símbolo da liberdade em terra brasileira, pois é lá que nossos irmãos japoneses deram uma característica própria e tão peculiar à cultura nipo-brasileira.
Prova de que uma gente miscigenada como o povo brasileiro sabe conviver harmonicamente com culturas diferentes, pois compreende de coração que todos somos irmãos, e que todos somos um só povo perante o criador. Esta é a magia da brasilidade, o respeito, o acolhimento, a simpatia, que são mostras de uma gente culta e cheia de valores.

 

Parte IV - Carnaval, grito e educação para liberdade, a busca do negro pela igualdade

O desejo pela libertação fez com que os negros manifestassem sua religiosidade, festas nas senzalas em terreiros e desenvolvendo seus ritmos e danças. As festas receberam energias poderosas e cheias de magias.  O Carnaval, que havia chegado ao Brasil pelos europeus nos bailes de máscaras e, mais tarde, nos entrudos, ganhou novo impulso com o suingue e a ginga do negro, transformando esta festa na maior de todas as comemorações brasileiras e, sobretudo, em um grande divulgador da miscigenação da cultura popular brasileira. Pois é a por meio dela que gente de todos os lugares passaram a conhecer a nossa cultura, nossa história e a busca incessante pela liberdade.

Foram assim que surgiram os cordões, os blocos e as escolas de samba, estas se tornaram a voz do povo, dando um grito de liberdade ao longo de toda história, desde os batuques africanos na senzala, pois foi o ato livre que nasceu da liberdade dos negros, que conquistaram seu espaço, mostraram o seu valor, na luta, na garra, no sofrimento por amor.

Ninguém conseguirá oprimir novamente um povo que faz carnaval, o samba que nasceu do desejo de liberdade e se uniu a tantos ritos e culturas. É uma festa cultura, fruto da mistura racial e da igualdade!

E assim, na caminhada da cultura popular brasileira, estamos ensinando e aprendendo. Seja no tocar da bateria, no girar da baiana, no sorriso de uma criança, tudo nos faz crer que a beleza de se viver profundamente, e receber a essência da vida é simplesmente acreditar num mundo melhor... E nós, da Prova de Fogo, acreditamos que a cultura e a educação são fundamentais para o progresso e a liberdade do povo.

 

Montagem Técnica

Comissão de Frente: Anjos da Liberdade

1º Carro (Abre Alas): Desbravamento dos mares, anjos anunciam o paraíso, a Terra de Vera Cruz

Ala 1 – Beleza e fartura de um País tropical  (baianas)
Ala 2 – Fidalgos - A Chegada da corte Portuguesa
Ala 3 – Índios - O Ser da inocência
Ala 4 – Negros e escravos
Ala 5 – Miscigenação- raça brasileira
Ala 6 – Grito de Independência
Ala 7 – Lutas, caminho para a abolição

2º Carro – Igreja de Santa Cruz e o Cemitério dos Negros

Ala 8 – Bairro da Liberdade
Ala 9 – Imigrantes da Liberdade
Ala 10 – Folclore, resistência cultural do povo
Ala 11 – Turismo e Cultura

2º Casal de MS/PB

Ala 12 – Religiosidade, festas e danças
Ala 13 – Grito e Educação, pela Liberdade
Ala 14 – Cordões e Blocos Carnavalescos (bateria)

 

3º Carro - Grito de Liberdade. Viva o Negro Brasileiro